Resumo:
O Museu de Imagens do Inconsciente, fundado a partir do trabalho terapêutico pioneiro da Dra. Nise da Silveira, guarda um acervo ímpar de obras produzidas por pessoas com transtorno mental, simbolizando a interseção entre a psiquiatria e a arte. Este estudo propõe uma análise da documentação museológica relacionada a esse acervo, com o intuito de explorar a importância dessa abordagem e aprimorar a sistematização dos termos utilizados. Essa sistematização visa facilitar a pesquisa, a conservação e o acesso às informações, uma vez que a falta de padronização na documentação e a complexidade da terminologia podem afetar a gestão eficaz de acervos, como o do Museu de Imagens do Inconsciente. A questão central que surge é como aprimorar a documentação museológica para superar a ambiguidade dos termos aplicados na classificação temática, conciliando a metodologia documental adotada pela Dra. Nise da Silveira com as práticas museológicas contemporâneas. A clareza na classificação é essencial para garantir a recuperação eficiente das informações e facilitar a comunicação do acervo, consolidando o papel do museu como uma instituição de memória de grande relevância, contribuindo para a preservação e a compreensão das obras artísticas relacionadas à saúde mental. O acervo continuará a ser um recurso importante para a pesquisa e estudo da arte gerada em contextos psiquiátricos. A análise da documentação e gestão dos acervos museológicos revela a importância do tratamento adequado da informação, promovendo melhor organização, acessibilidade e utilidade para os pesquisadores e o público. Ao mesmo tempo, as diretrizes resultantes deste estudo visam beneficiar outras instituições dedicadas à arte e à saúde mental, facilitando o acesso democrático ao conhecimento. Os procedimentos metodológicos desta pesquisa aplicada, exploratória e documental foram baseados num estudo de caso: a documentação museológica do Museu de Imagens do Inconsciente. Iniciamos pela revisão bibliográfica sobre psiquiatria e arte, seguindo à análise dos documentos internos do museu utilizando, também, a entrevista, com alguns profissionais de museus da mesma tipologia. Como resultado desta pesquisa desenvolvemos um material de consulta que complemente com as informações necessárias para o preenchimento dos campos referente à classificação (ARAS, tema e subtema) presente no manual de catalogação, criado em 2012. Pretendemos que este material possa ser apropriado pelo próprio museu e, outros de mesma tipologia. A pesquisa corroborou a relevância do trabalho desenvolvido pela Dra. Nise no campo da saúde mental, mas, abordou sobretudo, a complexidade da documentação do acervo criada por ela, com finalidade diferente da museológica, apresentando, desafios e entraves à preservação, em especial à recuperação da informação.