Resumen:
Esta dissertação analisa a trajetória institucional do Museu do Índio (MI), desde sua fundação em 1953 até sua refundação como Museu Nacional dos Povos Indígenas (MNPI), em 2023, com foco nas disputas simbólicas e políticas que atravessam a produção da memória e a gestão do patrimônio indígena no Brasil, tendo como base central a teoria crítica. O problema central consiste em compreender como o MI, historicamente estruturado sob um modelo tutelar de representação, moldou regimes estatais de visibilidade sobre os povos indígenas e de que modo a transição para o MNPI tensiona essa herança instituciona. O objetivo é investigar se a mudança de nomenclatura e de vinculação administrativa representa ruptura substantiva nos regimes de representação e gestão do patrimônio indígena ou se configura atualização simbólica
de estruturas herdadas. A pesquisa adota abordagem qualitativa, fundamentada no materialismo histórico, articulando análise bibliográfica e documental a uma leitura hermenêutica situada. Como ferramenta de apoio analítico, utiliza-se o modelo RADAR (Roteamento Analítico de Documentos e Arquivos em Rede), desenvolvido no âmbito da pesquisa para organizar e sistematizar corpus documental heterogêneo. Os resultados indicam a permanência de estruturas simbólicas e epistemológicas associadas ao indigenismo tutelar, mesmo diante da inflexão institucional recente. A inclusão de sujeitos indígenas na gestão configura avanço relevante, mas não assegura, por si só, transformação estrutural dos dispositivos de representação. Conclui-se que o MNPI se constitui como campo de disputa política e epistemológica, cuja legitimidade dependerá da consolidação de práticas de coautoria, consulta permanente e revisão crítica das mediações estatais sobre a memória indígena. A pesquisa contribui para o debate sobre memória pública, patrimônio e crítica institucional, ao compreender a transição museológica como processo histórico em aberto.
Descripción:
Banca examinadora: Eula Dantas Taveira Cabral, FCRB (orientadora); Lia Calabre de Azevedo, FCRB (membro interno); Antonio Herculano Lopes, FCRB (membro interno suplente); Adilson Vaz Cabral Filho, UFF (membro externo); Erika Schreider, INCA (membro externo suplente)